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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O muro


Conta-se que havia um grande muro separando dois grandes grupos.De um lado estava o Reino de Deus, os anjos e todos os Seus servos, do outro lado, estava o império de satanás, seus demônios e todos os seus servos. E em cima desse muro havia um jovem indeciso. Ele estava em dúvida se continuaria servindo a Deus ou se deveria aproveitar um pouco dos prazeres do mundo. 

O jovem indeciso observou que o grupo do lado de Deus o chamava e gritava sem parar: 


- Ei, desce do muro agora, vem pra cá!

Já o grupo de satanás não gritava e nem dizia nada. Essa situação continuou por um tempo, até que o jovem indeciso resolveu perguntar a satanás: 

- O grupo do lado de Deus fica o tempo todo me chamando para descer e ficar do lado deles. Por que você e seu grupo não me chamam e nem dizem nada para me convencer a descer para o lado de vocês? Grande foi a surpresa do jovem quando satanás respondeu: 

- "É porque o muro é MEU.” 
  
Nunca se esqueça: Não existe meio termo. O muro já tem dono. 





quarta-feira, 10 de outubro de 2012

O sábio e o barqueiro


BARQUEIRO.JPG

Certa feita um sábio que gostava muito de se vangloriar de suas ciências atravessava de barco um rio. Enquanto olhava o belo panorama ao redor, travava uma animada conversa com o alegre e simpático barqueiro, que ao seu lado remava com com muita destreza. 

- Diga-me uma coisa: você sabe Botânica? 

O barqueiro olhou para o sábio e respondeu:

- Não senhor. Não sei o que é isso. 

- Você não sabe o que é Botânica? A ciência que estuda as plantas? Que pena! Você perdeu parte de sua vida! Respondeu o sábio.

O barqueiro continua remando; e então pergunta novamente o sábio:

- Diga-me uma coisa: você sabe Astronomia? O coitado coçou a cabeça e disse: 

- Não senhor, não sei o que é Astronomia. 

- Astronomia é a ciência que estuda os astros, o espaço, as estrelas. Que pena! Você perdeu parte da sua vida! Respondeu novamente o sábio.

E assim foi perguntando a respeito de cada ciência: Física, Química... e o barqueiro de nada sabia. Então o sábio terminava com seu refrão: "Que pena! Você perdeu parte da sua vida!"

Seguiam a viagem. De repente, levantou-se uma borrasca tão forte que se tornou iminente o naufrágio. Nesse momento o barqueiro pergunta ao sábio: 

- O senhor sabe nadar? 

- Não, não sei. Respondeu o sábio.

Então o barqueiro respondeu: - Que pena! O senhor perdeu toda a sua vida! 

E assim foi: o barco virou e o pobre sábio, com toda a sua sabedoria, pereceu afogado. O barqueiro, no entanto, se salvou nadando.

Para que serve tanta ciência, quando não se possui a ciência que nos salve?

 * * *
O mesmo que aconteceu com esse pobre sábio acontecerá também com todos quantos se vangloriam da sua real ou pretendida ciência, mas vivem como se Deus não existisse. A ciência, a cultura, a filosofia são preciosos e necessários valores humanos, desde que repousem sobre a verdadeira fé. Com razão afirma Santo Agostinho: "Desditoso o homem que tudo sabe, mas não Vos conhece, Senhor!"

Disse Jesus: “De que serve ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Mc 8,36)



Adaptado de: A Palavra de Deus em exemplos. Ed. Paulinas.
                         Revista Arautos do Evangelho, Março/2006, n. 51, p. 48.


sábado, 6 de outubro de 2012

O Padre e o Ator


           
 Certa vez um grupo de teatro chegou a uma pequena cidade para apresentar uma peça.  Como não havia teatro no local, recorreram ao padre para pedir-lhe o salão paroquial para a apresentação.

            Cordialmente o padre concedeu. De imediato, o organizador do grupo o convidou para assistir à peça que seria no outro dia, sábado à noite. Gentilmente o padre aceitou, mas com uma ressalva: que toda equipe fosse à missa no domingo pela manhã. Combinaram.

            No sábado à noite, no salão paroquial, na hora marcada, lá estava o padre alegre e ansioso, para ver a apresentação. Antes do início do espetáculo a plateia estava  atônita com tanta beleza de luz, som, figurino, organização. Todos ficaram encantados; nunca tinham visto um ambiente tão harmonioso. O espetáculo começou. Silêncio total. A peça transcorreu muito bem... No final, todos emocionados aplaudiram  prolongadamente. O padre não escondia sua alegria.

            No dia seguinte, de manhã cedo, lá estava a equipe de atores na Igreja para assistir à missa do padre, como haviam combinado. No início, alegremente, o padre apresentou-se à comunidade e a cerimônia se desenrolou normalmente.  Após a celebração,  todos foram à casa paroquial tomar café e conversar.  O responsável pelo grupo perguntou ao padre: - Diga-nos, que impressão o teatro deixou no senhor? - A melhor!, disse o padre.

- Detalhe para nós sua avaliação; é importante para o nosso crescimento, por favor ! - A equipe está de parabéns em tudo, seja nos cenários ou nas roupas, na iluminação, no som, no domínio do público etc.  Belo, tudo muito belo ! A plateia, que coisa impressionante, na hora do silêncio não escutava nada, já na hora de rir, como riam e, para minha surpresa, choravam nos momentos dramáticos. Fantástico !

            É o que tenho a dizer. Mas, e a Missa qual é a impressão de vocês?  Digam-me!

            Todos se entreolharam, mas ninguém queria se pronunciar. Como o  padre insistiu, o responsável do grupo comentou:

            - Padre, não sou a melhor pessoa para avaliar, pois não sou um bom fiel; apenas quero falar como um ator. 
             -  Isso! exclamou o padre, alegremente.

            - Nós somos atores e trabalhamos em equipe com objetivo de transmitir  à plateia uma história que deve ser compreendida e vivida por todos, atores e público, mesmo que não seja verdadeira.

            - É verdade. Eu mesmo, disse o padre, entrei na história ri e  chorei.

- Mas padre o que não compreendo é que você com sua equipe tem uma verdade para ser apresentada que é a história de Jesus, mas usam de instrumentos para transmitir tal verdade que as pessoas acham que não passa de uma mentira tudo  que querem passar.

- Como assim ! Replicou o padre.

- Se temos uma mensagem para transmitir ela não será apresentada apenas com voz e sim com vários instrumentos e, sobretudo, com as pessoas que estão envolvidas na transmissão. Lembrem-se, padre, nosso comportamento, gestos, concentração, união,  vestuário, também comunicam.

- Estou compreendendo, disse o padre, atento a tudo que lhe dizia o ator. Este continuou: a sua equipe é quem mais conversa durante a missa.  Coisa imperdoável no teatro.  Lá tudo deve ser combinado antes.  As pessoas que estão em seu redor, um desastre ! Mal vestidas, mal humoradas, túnicas amassadas, cochilam, bocejam, jogam as pernas para um lado e para o outro, apresentam-se insatisfeitas, etc., os que usam a voz, os leitores, nossa, um tormento.  Não sabem ter postura na mesa da palavra. E o pior ainda, lêem sem vida, como se não acreditassem nas palavras. Dão a entender que não leram antes, não ensaiaram, impensável no teatro ! O ator tomou água e prosseguiu.

            - Os cantores, que têm uma função importante na celebração, pude perceber que são improvisadores. Enquanto você celebra, eles estão procurando o que cantar em seguida.  Conversam, riem, verdadeiramente não comunica o divino.

            O padre parecia atônito a tudo isso e em silêncio tudo escutava.

            - O espaço onde aconteceu a celebração é sagrado, mas a forma como o arrumam, nega totalmente o zelo pelo sagrado. Observe o que lhe digo: as velas, os tecidos que ornamentam, as cadeiras, o altar dos santos. Os arranjos de flores, tudo parece mais um caos devido à  desorganização. Não comunicam que ali habita Deus.

            - Volto a afirmar: vocês têm uma verdade para anunciar e apresentar; mas, da forma que apresentam parece ser mais uma mentira; e nós temos uma mentira a apresentar e as pessoas aceitam como verdade. Algo em você e na equipe está errado. Corrija enquanto é tempo. Deus merece ser comunicado em tudo e em todos.

  - O que fazer? Perguntou o padre.

           - Faça com que sua equipe zele pelo sagrado e comunique Deus em tudo.  Ele é uma verdade e deve ser compreendido em tudo na Igreja e na equipe.

O padre pensativo, agradeceu as colocações e se despediram.

- QUE REFLEXÃO O TEXTO SUGERE PARA NOSSA MANEIRA DE SER IGREJA?

Fonte: Revista Comunhão.

domingo, 30 de setembro de 2012

Deus nunca erra!



Um rei que não acreditava na bondade de DEUS tinha um servo que em todas as situações lhe dizia: Meu rei , não desanime porque tudo que Deus faz é perfeito , Ele nunca erra!

Um dia eles saíram para caçar e uma fera atacou o rei. O seu servo conseguiu matar o animal, mas não pôde evitar que sua majestade perdesse um dedo da mão. Furioso e sem mostrar gratidão por ter sido salvo, o nobre disse: Deus é bom? Se Ele fosse bom eu não teria sido atacado e perdido o meu dedo.

O servo apenas respondeu: Meu Rei , apesar de todas essas coisas , só posso dizer-lhe que Deus é bom; e Ele sabe o porquê de todas as coisas.Tudo o que Deus faz é perfeitoEle nunca erra!

Indignado com a resposta, o rei mandou prender o seu servo  Tempos depois, saiu para outra caçada e foi capturado por selvagens que faziam sacrifícios humanos. Já no altar, prontos para sacrificar o nobre, os selvagens perceberam que a vítima não tinha um dos dedos e soltaram-no: ele não era perfeito para ser oferecido aos deuses .

Ao voltar para o palácio, mandou soltar o seu servo e recebeu-o muito afetuosamente . Meu caro , Deus foi realmente bom comigo ! Escapei de ser sacrificado pelos selvagens, justamente por não ter um dedo! Mas tenho uma dúvida: Se Deus é tão bom, por que permitiu que você, que tanto O defende, fosse preso?

Meu rei, se eu tivesse ido com o senhor nessa caçada, teria sido sacrificado em seu lugar, pois não me falta dedo algum. Por isso, lembre-se: tudo o que Deus faz é perfeitoEle nunca erra!

Muitas vezes nos queixamos da vida e das coisas aparentemente ruins que nos acontecem, esquecendo-nos que nada é por acaso e que em tudo tem um propósito . Toda a manhã ofereça seu dia a Deus . Peça para Ele inspirar os seus pensamentos, guiar os seus atos, apaziguar os seus sentimentos . E nada tema , pois DEUS NUNCA ERRA !!!

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Deus é como açúcar ...


Um certo dia, a professora querendo saber se todos tinham estudado o catecismo, perguntou as crianças quem saberia explicar quem é Deus?

Uma das crianças levantou o braço e disse:

- Deus é o nosso Pai, Ele fez a terra, o mar e tudo que está nela; nos fez como filhos dele.
A professora, querendo buscar mais respostas, foi mais longe:

- Como vocês sabem que Deus existe, se nunca o viu?

Pedro, um menino muito tímido, levantou as mãozinhas e disse:

- A minha mãe me disse que Deus é como o açúcar no meu leite que ela faz todas as manhãs, eu não vejo o açúcar que está dentro da caneca no meio do leite, mas se ela tira, fica sem sabor. Deus existe, e está sempre no meio de nós, só que não o vemos, mas se ele sair de perto, nossa vida fica... sem sabor.

A professora sorriu e disse:

- Muito bem Pedro, eu ensinei muitas coisas a vocês, mas você me ensinou algo mais profundo que tudo o que eu já sabia. Eu agora sei que Deus é o nosso açúcar e que  está todos os dias adoçando a nossa vida!

Deu-lhe um abraço e saiu surpresa com a resposta daquela criança.

A sabedoria não está no conhecimento, mas na vivência de DEUS em nossas vidas, pois teorias existem muitas, mas doçura como a de DEUS não existe e nunca existirá, por isso deixe que Ele adoce sempre sua vida... 

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Compromisso com a Consciência


Você certamente já leu ou ouviu, algum dia, a notícia de roubo, incêndio, naufrágio ou explosão de algum bem móvel ou imóvel que pertencia a alguém, não é mesmo? 

No entanto, ninguém jamais ouviu ou leu uma manchete com os dizeres: “Foi roubada a coragem desta ou daquela pessoa”, “Foi extraviada grande porção de otimismo. Quem a encontrar favor devolver no endereço citado”. Ou então, “Incêndio consumiu toda a fidelidade de fulano” ou “Naufragou a honestidade de beltrano.”

Enfim, nunca se ouve falar que as virtudes de alguém tenham sofrido assaltos ou outro dano qualquer.

Todavia, isso acontece diariamente quando as negociatas indignas põem por terra a honestidade e a honradez deste ou daquele cidadão, que sucumbe ante grandes quantias em dinheiro ou favorecimentos de toda ordem.

No entanto, as virtudes que se deixam arrastar por interesses próprios, não são virtudes efetivas, são ensaios de virtudes. Quem verdadeiramente conquista uma virtude, jamais a perde.

Contou-nos um amigo, jovem advogado que trabalha num órgão público, que, em certa ocasião, estava com uma pilha de processos sobre a mesa, quando seu superior entrou na sala, tomou dois daqueles processos e pôs de lado, dizendo-lhe: “Quero que você arquive estes processos.” O advogado perguntou por que razão deveria arquivá-los, e o diretor respondeu simplesmente: “Porque os acusados são meus amigos e me pediram esse favor”. O moço, que tinha compromisso sério com a própria consciência, fez com que os processos seguissem seu curso, sem interferir. Tempos depois, os acusados tiveram que arcar com as custas do processo e indenizar vários cidadãos, aos quais haviam prejudicado de alguma forma. Quando questionado por seu superior sobre o ocorrido, o advogado argumentou que o fato de os acusados serem seus amigos, não era suficiente para isentá-los da responsabilidade de seus atos. 

Se o jovem advogado não tivesse firmeza de caráter, poderia ter dado ocasião a que fosse registrado em sua ficha espiritual a seguinte anotação: “Este espírito sofreu, em tal data, um assalto da corrupção e da prepotência e teve seus bens mais preciosos, que são a fidelidade e a honestidade, roubados.” Felizmente isso não aconteceu.

Toda vez que permitimos que nosso patrimônio ético-moral seja comprado ou roubado, ficamos mais pobres espiritualmente. Quando aplaudimos a corrupção e a ganância dos outros, somos coniventes com essas misérias morais e empobrecemos.

Pense nisso e considere que vale a pena preservar esse bem tão valioso que é o seu patrimônio moral.

"Prefira afrontar o mundo servindo a sua consciência, a afrontar sua consciência para ser agradável ao mundo."

Humberto de Campos


domingo, 5 de agosto de 2012

A verdade e a parábola


 

Um dia, a Verdade decidiu visitar os homens, sem roupas e sem adornos, tão nua como seu próprio nome.


E todos que a viam lhe viravam as costas de vergonha ou de medo, e ninguém lhe dava as boas-vindas.


Assim, a Verdade percorria os confins da Terra, criticada, rejeitada e desprezada.


Uma tarde, muito desconsolada e triste, encontrou a Parábola, que passeava alegremente, trajando um belo vestido e muito elegante.

— Verdade, por que você está tão abatida? — perguntou a Parábola.

— Porque devo ser muito feia e antipática, já que os homens me evitam tanto! - respondeu a amargurada  Verdade.

— Que disparate! — Sorriu a Parábola. — Não é por isso que os homens evitam você. Tome. Vista algumas das minhas roupas e veja o que acontece. 

Então, a Verdade pôs algumas das lindas vestes da Parábola, e, de repente, por toda parte onde passava era bem-vinda e festejada.

*
Os seres humanos não gostam de encarar a Verdade sem adornos. Eles preferem-na disfarçada.


"Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará" (Jo 8,32)

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O Anjo da guarda do lenhador


No ano de 1880, na Suíça, aconteceu um fato maravilhoso: um pároco ouviu de noite uma voz que o chamava e dizia:

- Vá logo a tal ponto das montanhas da Suíça, para levar a Comunhão a um homem que vai morrer.

O pároco se levantou, tomou o Santíssimo Sacramento, montou a cavalo e partiu, acompanhado pelo sacristão. Ao despontar da aurora, chegou ao lugar indicado e vendo um velho lenhador lhe perguntou:


- Há algum enfermo na sua família?

- Que eu saiba, nenhum, graças a Deus.

E mandou perguntar pelas casas de campo mais próximas, mas nenhum enfermo apareceu.
Não sabendo o sacerdote explicar o que acontecera, decidiu voltar para sua paróquia, mas o velho lenhador lhe disse:


- Senhor Padre, já que vós levais o Santíssimo Sacramento e eu não posso, por causa de minha velhice, ir à igreja tão distante, descansai um pouco, depois ouvi-me em confissão, e em seguida dai-me a Comunhão.

- Muito bem, respondeu o padre, e satisfez os desejos do velho.

Pôs-se depois em marcha, e mal se havia afastado duzentos passos, foi chamado aos gritos por um jovem:

- Senhor Padre! Senhor Padre! Vinde rápido que meu pai teve um ataque.

Com efeito, o sacerdote acorreu e encontrou o velho já em agonia, mas com o rosto alegre e sereno. E, ao ver o sacerdote, lhe disse:

- Foi meu Anjo da Guarda que vos enviou. Foi por minha causa que fostes ontem chamado. Eu estava perto da morte e não o sabia. Sempre tive especial devoção ao Santíssimo Sacramento, e como temia ser vítima de um ataque, um dia roguei ao Senhor que não me deixasse morrer sem receber o santo Viático. Bendito seja Deus, que me ouviu!

Pouco depois de ditas estas palavras, com os sentimentos da mais acendrada piedade e com a paz do justo, o velho lenhador, assistido por seu próprio pároco, entregou a alma a Deus.


(Pe. Pedro Laurenti S.J., Le Meraviglie del SS. Sacramento)

(Milagres Eucaristicos – Padre Manuel Traval Y Roset S.J. – Editora Artpress)

quarta-feira, 11 de julho de 2012

O Alpinista

Conta-se que um alpinista, desesperado por conquistar uma altíssima montanha, iniciou sua escalada depois de anos de preparação. Como queria a glória só para ele, resolveu subir sem companheiros. Durante a subida, foi ficando cada vez mais tarde e ele não havia se preparado para acampar, no entanto ele decidiu seguir subindo, decidido a alcançar o topo... e por fim ficou escuro.

A noite era muito densa naquele ponto da montanha e não se podia ver absolutamente nada. Tudo era negro, visibilidade zero, a lua e as estrelas estavam encobertas pelas nuvens.
Ao subir por um caminho estreito, a apenas poucos metros do topo, escorregou e precipitou-se pelos ares, caindo a uma velocidade vertiginosa. O alpinista via apenas velozes manchas escuras passando por ele e sentia a terrível sensação de estar sendo sugado pela gravidade. Continuava caindo... E em seus angustiantes momentos, passaram por sua mente alguns episódios felizes e outros tristes de sua vida. Pensava na proximidade da morte, sem solução... 
De repente, sentiu um fortíssimo solavanco, causado pelo esticar da corda na qual estava amarrado e presa nas estacas cravadas na montanha. Nesse momento de silêncio e solidão, suspenso no ar, não havia nada que pudesse fazer e gritou com todas as suas forças: MEU DEUS, ME AJUDA !!!
Então, uma voz grave e profunda vinda dos céus lhe respondeu:

- QUE QUERES QUE EU TE FAÇA?
- Salva-me, meu DEUS  !!!

REALMENTE CRÊS QUE EU POSSO SALVÁ-LO?

- Com toda certeza, Senhor !!!

ENTÃO CORTA  A CORDA NA QUAL ESTÁS AMARRADO...


Houve um momento de silêncio; então o homem agarrou-se ainda mais fortemente  à corda. Conta a equipe de resgate, que no outro dia encontraram o alpinista morto, congelado pelo frio, com as mãos agarradas fortemente à corda...  A  APENAS  DOIS METROS  DO  SOLO...


Por vezes nos agarramos às nossas velhas cordas que nos mantém “seguros”, porém ter fé é arriscar-se a perder total controle sobre a própria vida, confiando-a ao Pai. Que possamos todos entregar-nos e viver plenamente na confiança de que existe Aquele que está sempre ao nosso lado a nos sustentar, mesmo que nossa corda arrebente. 
"As graças da Minha misericórdia coIhem-se com o único vaso, que é a CONFIANÇA. Quanto mais a alma confiar, tanto mais receberá. Grande consolo Me dão as almas de ilimitada confiança, porque, em almas assim derramo todos os tesouros das minhas graças."  (Jesus a Santa Faustina. Diário, 1578)
Jesus, eu confio em Vós!

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Salvo pela gentileza

Antônio era um funcionário exemplar. Morava na grande São Paulo e era encarregado da câmara fria de congelados de um frigorífico.

Certo dia, no final do expediente, quando todos os funcionários se preparavam para voltar aos seus lares, Antonio foi conferir se a última encomenda de carne estava bem alojada e se o número de peças entregues coincidia com a nota fiscal. Ele entrou na câmara de congelados, regulada com a temperatura quinze graus negativos, contou as carnes, estava tudo perfeito. Quando se dirigiu à porta, constatou que estava preso sem poder sair. A câmara era muito antiga, e só abria por fora. Devido à pressa – a velha inimiga da perfeição – ele não havia prendido a porta devidamente. Por um momento, ele não acreditou no que se passava. Ele estava trancado na câmara fria de congelados, sob uma temperatura de quinze graus abaixo de zero! Tirou o celular do bolso, mas não havia sinal. Não havia meio de comunicar-se com o exterior, não adiantava nem gritar, pois ele era sempre o último empregado a sair da firma. O que fazer?
Começou a sentir aquele frio cortante dentro da câmara. Ao ver as peças de carne, ele logo pensou que se permanecesse parado terminaria sua vida como elas: congelado. Sem demora, começou a mover as caixas e peças de carne de um lado para o outro dentro da câmara fria; não poderia descansar um momento que fosse, pois caso seu corpo esfriasse, ele congelaria.
Do lado de fora, enquanto alguns funcionários entravam nos seus automóveis, e outros se dirigiam à parada de ônibus a fim de retornarem ao aconchego do lar, somente um empregado permanecia na firma. Era o guarda noturno que estava a postos a fim de vigiar o patrimônio da empresa durante a noite.
Passado um tempo, ele notou que um funcionário não havia saído. Antonio era o funcionário mais amável da firma. Ele sempre cumprimentava todo mundo, interessando-se pela vida e pela família de seus companheiros. Sempre tratava a todos com muito estima e calor. Havia até ganhado um prêmio na firma como funcionário exemplar, tal era a amizade que demonstrava a todos, fossem iguais, inferiores ou superiores. Uma das pessoas que era objeto de seu desvelo era o guarda noturno.
Sentindo falta daquele cumprimento, percebeu que Antonio não saía e julgando que poderia ter acontecido algo, o guarda pôs-se a procurá-lo em todas as dependências do prédio. Após quase uma hora, no momento que já estava quase para desistir, pensando que talvez Antonio tivesse saído sem ele perceber, tomou o caminho de volta para seu posto de guarda. “Mas Antonio sempre se despede, por que ele não iria me cumprimentar hoje?”, pensou ele. Então, voltou a procurar o seu gentil amigo.
Surpreso por encontrar a luz da câmara fria acesa, entrou nela, e viu Antonio carregando as peças de carne. Antônio correu ao encontro do guarda e lhe deu um abraço.
- O que aconteceu? perguntou o guarda, surpreendido.
- Você salvou a minha vida! respondeu Antonio, emocionado.
Os dois saíram lentamente da câmara para não ter o choque térmico e Antônio voltou a dizer:
- Você salvou a minha vida, muito obrigado.
E o guarda respondeu:
- Não, não fui eu quem te salvei. Foi a sua gentileza. Senti a sua falta, pois todos os dias você me cumprimentava e se interessava por mim. Então vim te buscar. Tu foste salvo pela gentileza…
O que diz a teologia sobre a gentileza?

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